Cãibras: O que são, porque acontecem, como prevenir ou tratar

Uma cãibra não é mais do que uma contracção muscular duradoura, forte e involutária. Infelizmente, estes acontecimentos são acompanhados de dor mais ou menos intensa.

Como acontecem as cãibras?

As cãibras são um fenómeno bastante comum, especialmente entre a comunidade de atletas ou praticantes assíduos de actividade física intensa. Contudo, e por estranho que pareça, em pleno século XXI, não se sabe muito bem o motivo pelo qual acontecem ou, pelo menos, não existem certezas. Clinicamente, são caracterizadas por dor na forma aguda, podendo a zona afectada ficar dorida durante alguns dias, e/ou “inchada”.

Este tipo de condição pode ocorrer devido a patologias no neurónio motor, a desordens do tipo metabólico, ou no seguimento de uma depleção do volume extracelular. Até aqui, tudo bem. Mas não podia ser tão simples, pois não? Acontece que, nalgumas pessoas, as cãibras se verificam sem qualquer razão aparente.

Pois, é o caso das cãibras relacionadas com o exercício físico, uma vez que, de um modo geral, os atletas são saudáveis (pode ou não acontecer, mas geralmente são), e não sofrem deste tipo de patologias. Por isto mesmo, e apesar de existirem vários tipos de cãibras (Parafisiológicas, Idiopáticas e Sintomáticas), vou fixar-me nas parafisiológicas, mais concretamente nas “cãibras musculares associadas com o exercício físico (EAMC)”, as quais são esporádicas e decorrentes de condições como… a prática de exercício.

Razão das cãibras musculares

Este tipo de cãibras é definido, como não podia deixar de ser, como uma contracção muscular, dolorosa e involuntária, que ocorre durante ou imediatamente após a prática de exercício físico. Têm sido propostas, ao longo do tempo, várias causas possíveis, desde as desordens metabólicas hereditárias, até aos distúrbios electrolíticos, passando pela prática desportiva em condições ambientais extremas.

Mais uma vez, a literatura não tem suportado nenhuma delas (isoladamente) como a causa deste fenómeno. Algo que me surpreendeu, pelo menos antes de pensar bem no caso, foi o facto de alguns autores adiantarem causas psicológicas como um dos factores a ter em conta.

Não se pode ter a certeza, até porque não se conseguiu provar através de investigação, mas a depleção de magnésio e hiperventilação, associados com ataques de pânico e ansiedade, podem contribuir e muito. Como diz uma psicóloga que conheço muito bem, “ A ansiedade justifica quase tudo”, e não podia concordar mais.

Como é óbvio e extensamente documentado, a prática desportiva em condições ambientais extremas é um factor importantíssimo e que está muito associado ao aumento da frequência da ocorrência de cãibras musculares. Tal facto está bem suportado por literatura e por observação. De facto, este fenómeno aumenta durante os treino da pré-época (especialmente se os treinadores ainda insistirem em violentos volumes e intensidades de treino, como método para “carregar baterias” para toda a época, mas isso é outro tema…) e quando se treina/joga sob temperaturas muito altas.

Mais uma vez, tem sido documentado que quanto mais alta a intensidade e duração do esforço, maior a prevalência deste tipo deste tipo de contracção muscular. Por curiosidade, digo-vos que a maior prevalência ocorre em praticantes de triatlo. Estranho? Não, e apenas confirma tudo o que escrevi acima.

Aparte as razões médicas (diabetes, hipotiroidismo, etc…), acerca das quais não tenho competência nem conhecimento para escrever, e as que acima referi, existem ainda outras que importa considerar:

– Níveis baixos de cálcio e/ou potássio;
– Níveis baixos de sódio;
– Desidratação rápida;

Níveis baixos de magnésio e cálcio provocam cãibras severas, tetania, que podem ser atribuídas a uma despolarização axonal instável. Este tipo de cãibras pode ser tratado com uma solução salina hipertónica ou dextrose.

Níveis baixos de sódio induzem algumas alterações neurológicas graves, as quais incluem cãibras musculares.

A desidratação rápida, seja por utilização de diuréticos, seja por situações de vómito ou outras, pode levar também à ocorrência de cãibras musculares. As cãibras que ocorrem aquando da prática desportiva em ambientes muito quentes e húmidos são, provavelmente, decorrentes desta mesma desidratação, através da transpiração.

A creatina tem sido também referida como podendo levar á ocorrência deste tipo de contracção mscular involuntária. Contudo, a investigação, curiosamente realizada em jogadores de futebol, não encontrou jusstificação para tal ideia. A creatina é muito utilizada, não só por futebolistas, mas por atletas das mais variadas modalidades, especialmente naquelas que implicam contracções musculares fortes e manifestações de força explosiva, e não há qualquer razão para deixar de o ser.

Pode existir o problema da retenção de fluidos, mas tem que ser passado contra a melhoria na performance que tem sido verificada desde há anos a esta parte.

Pensavam que estava tudo esclarecido? Longe disso! Recentemente, e dado que a investigação científica tem dificuldades em apontar causas para as cãibras, foi formulada uma nova hipótese: A alteração do controlo neuromuscular, decorrente da fadiga. Esta hipótese tem sido suportada por estudos recentes.

como tratar cãibras

Tratamentos para as cãibras

Cãibras do tipo agudo ou esporádico:

– Alongamento passivo da zona ou grupos musculares afectados;
– Arrefecimento da superfície;
– Hidratação oral;
– Massagem com gelo, nos grupos musculares afectados;
– Se forem acompanhadas de confusão e/ou alterações no estado de consciência, devem receber atenção médica, imediatamente.

Cãibras recorrentes:

– Devem visitar um bom médico!

Prevenção de cãibras

A literatura apresenta, como forma de prevenção, o seguinte:

– Prevenir a ocorrência de fadiga muscular prematura, durante o exercício;
– Estar em boa condição física para a tarefa, seja de lazer ou competição;
– Realizar exercícios de alongamento, especialmente para os grupos musculares mais afectados;
– Manter uma dieta equilibrada, com hidratos de carbono e electrólitos;
– Evitar a fadiga;
– Reduzir a intensidade e/ou a duração do exercício, se necessário.

Conclusão

É muito complicado definir causas concretas para a ocorrência de cãibras musculares, mas podemos, no mínimo, traçar factores de risco e controlar algumas variáveis, quer de treino, quer de nutrição, para as minimizar ou controlar.

Em termos de treino, podemos ter a certeza que a pessoa está em condições para participar num qualquer evento (as cãibras ocorrem muitas vezes a pessoas que, quando foram questionadas, reponderam que estavam a tentar uma performance (ou a conseguir) superior àquela para a qual tinham treinado (por exemplo, triatletas a correrem mais rápido do que aquilo que tinham preparado nos treinos).

Pode parecer que isto só se aplica à população de atletas, mas estas recomendações devem estar presentes para todos aqueles que praticam exercício físico intenso, com especial ênfase em actividades de longa duração.

Este artigo já vai longo, espero que não tenham tido nenhuma cãibra durante a leitura 🙂

Autor: Ta Fitness

O Tá Fitness nasceu em 2012. É um portal dedicado ao exercício físico, à alimentação e ao bem-estar.

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