“Roubar” na musculação: batota ou boa prática?

Nós últimos anos tive oportunidade de conviver com alguns personal trainers e instrutores de ginásios e discutir sobre alguns assuntos relacionados com a musculação. Um deles foi a “batota” nos exercícios de musculação. Esta prática consiste em utilizar má forma na execução de determinado exercício, de forma a conseguir completar a repetição (há quem se refira a esta prática como “roubar”).

Ouvi opiniões variadas sobre este assunto. Os que defendem que não se deve roubar nos exercícios salientam as consequências desta prática, nomeadamente: aumento do risco de lesão – devido à má postura e aumento da tensão sobre as articulações e tendões – e transferência do estímulo do exercício para grupos musculares que não são o nosso alvo naquele exercício.

Os que defendem que se pode/deve fazer batota na execução dos exercícios afirmam que isso permite recrutar mais fibras musculares quando o músculo já está perto da falha.

agachamento com barra

O que diz a ciência?

Em Janeiro de 2013, um estudo debruçou-se sobre esta questão. Recorrendo a simulações em computador, o investigador responsável pelo estudo simulou a execução do exercício de elevação lateral do ombro com e sem “batota”.

No seu paper científico, o investigador salienta que o uso moderado de “batota” (através de um ligeiro impulso com o corpo) aumentou o estímulo dos músculo alvo neste exercício, mesmo sem aumentar a carga. No entanto, o uso excessivo de “batota” (através de um forte impulso) reduziu o trabalho desses mesmos músculos.

Aumentar excessivamente a carga também reduz o estímulo total a nível de hipertrofia, devido à diminuição do número total de repetições, o que significa que o músculo permaneceu menos tempo debaixo de tensão.

O investigador referiu que o trabalho dele refuta a crença convencional de que a utilização de um ligeiro impulso na realização do exercício reduz necessariamente o trabalho sobre os músculos alvo. Concluiu dizendo que o uso moderado de “batota” aumenta tanto o estímulo do músculo como o trabalho de hipertrofia.

Seria interessante ser feito um estudo semelhante mas com pessoas. Também seria interessante avaliar a médio-longo prazo a probabilidade de ocorrência de lesões decorrentes da constante utilização de má forma na execução dos exercícios.

Conclusão

Respondendo à pergunta do títilo: pode-se “roubar” na musculação? Talvez o mais equilibrado seja não defender nenhum dos extremos. Antes, tal como sugere o trabalho deste investigador e alguns personal trainers, pode ser interessante fazer batota nas últimas 2/3 repetições da série.

Se pensarmos bem, “roubar”nas últimas repetições é semelhante a fazer um drop set. Ao “roubar” estamos a reduzir a carga colocada sobre o músculo alvo, à semelhança do que acontece quando fazemos um drop set. Isso, de facto, permite recrutar mais fibras musculares quando o músculo já está fatigado.

Qual a vossa opinião sobre esta questão?


REFERÊNCIAS OU NOTAS:
[*1] – Arandjelović O., Does cheating pay: the role of externally supplied momentum on muscular force in resistance exercise, Eur J Appl Physiol. 2013 Jan;113(1):135-45

Autor: Marcos Sabino

Marcos Sabino criou o Tá Fitness em 2012. Licenciou-se em Comunicação Social na Universidade do Minho, onde também tirou o mestrado. Trabalhou 4 anos na Prozis, em Portugal, e em 2014 mudou-se para Inglaterra onde trabalha desde então na Myprotein. Possui um canal no Youtube onde dá dicas de nutrição e suplementação e um perfil no Instagram (@marcossabinofitness).

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