Entrevista a Carlos Rebolo

Quando se fala em culturismo nacional, Carlos Rebolo é o primeiro nome que vem à cabeça. Entrevistamos o atleta português com mais títulos conquistados internacionalmente no culturismo. Damos-te a conhecer o seu percurso e as suas dicas de nutrição.

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1) Fala-nos um pouco de ti e sobre como surgiu o interesse pela musculação.

O meu nome é Carlos Rebolo, nasci em 1962, na Ilha da Madeira e o meu interesse pela musculação surgiu quando tinha 16 anos, por influência de um tio que estava imigrado na Venezuela e também praticava. Comecei a treinar em casa, com pesos construídos por mim com recipientes cheios de betão, com um orifício central, por onde passava uma barra em ferro.

Depois fui treinar para o único ginásio que existia no Funchal, o ginásio “Carlos Gonçalves” uma figura muito conhecida do desporto da Madeira e a quem nunca foi dado o merecido reconhecimento e que tive ainda a honra de ter conhecido.

carlos rebolo


2) És o atleta nacional mais premiado no culturismo internacional e tens um palmarés invejável.
Fala-nos um pouco sobre o teu percurso enquanto competidor e diz-nos quais as competições que te deram mais gozo vencer.

A competição surge por acaso, quando tinha cerca de 3 anos de treino, e foi no 1º concurso de culturismo organizado na Madeira, onde, salvo erro entraram 8 concorrentes, tendo ficado classificado em 4º lugar. Desde então, nunca me afastei da competição por muito tempo, ou seja, tirando alguns anos em que não entrei em competições por imperativos de natureza pessoal e profissional, mas nunca fiquei afastado das competições durante muitos anos.

Comecei por concorrer no campeonato nacional, na categoria até 65 kg e depois foi uma subida a “pulso” percorrendo todas as categorias de peso oficiais da IFBB, tendo levado este percurso cerca de 18 anos, tendo-me sagrado campeão nacional na categoria de até 80 kg, pela 1ª vez, num campeonato realizado em Évora cuja data de momento não recordo.

Só em 2004 é que surgiu, pela mão do meu grande amigo Nuno Guerreiro, a oportunidade de concorrer pela 1ª vez no Campeonato da Europa de Master, que se realizou na Polónia, tendo ficado classificado em 3º lugar, medalha de bronze.

Desde então tenho participado no campeonato da Europa e do Mundo todos os anos, tendo-me sagrado campeão do Mundo no ano de 2009, na República Checa e Campeão da Europa na Hungria no ano seguinte, tendo sido estas as duas competições que mais gozo me deram vencer, sendo absolutamente extasiante e indescritível o momento em que anunciam o teu nome como vencedor e logo depois ouves as primeiras notas musicais do hino nacional.

No ano de 2010, participei no concurso Arnold Classic nos Estados Unidos, na categoria de seniores até 90 kg de peso corporal, tendo ficado classificado em 9º lugar e também participei no 1º Olympia Amateur, que se realizou em Londres, também em 2010, na mesma categoria, tendo ficado classificado em 8 lugar.

Em suma, em todos as competições internacionais IFBB que participei até hoje fiquei sempre classificado entre os 10 primeiros, quer na categoria de seniores, quer na categoria de masters.

carlos rebolo


3) Estiveste presente no Arnold Classic Europe, em Madrid, e conseguiste o 2º lugar na categoria de Masters. Como foi a experiência?

Foi mais uma boa competição, desta feita, aqui perto em Madrid. Foi a única vez que estive acompanhado por atletas portugueses e onde participaram um grande número de portugueses.

carlos rebolo


4) Pretendes continuar a competir nos próximos anos? Que planos tens nesta área?

Obviamente que pretendo continuar a competir, desde que as contingências da vida o permitam, e tenho já agendado o campeonato da Europa 2013, depois o Arnold Classic Europa novamente em Madrid e no final do ano o Campeonato do Mundo.

carlos rebolo


5) O que te leva a nunca perder a vontade de treinar ao longo destes anos todos? Onde vais buscar motivação?

Eu adoro treinar, é onde me encontro! É o momento onde excomungo os demónios! Treinar neste momento é como respirar, passo o exagero, mas para mim tem esta relevância. E claro que a competição traz uma motivação acrescida, mas mesmo que não tivesse o estímulo da competição jamais deixaria de treinar.

carlos rebolo


6) Quais as principais dificuldades sentidas durante o teu percurso?

Dificuldades!!!!!!! Não sei sinceramente o que responder a esta pergunta porque, que eu saiba, nada na vida acontece de uma forma fácil, pelo menos comigo, e as dificuldades que senti advêm disso mesmo. Ou seja, tudo o que me propus realizar na minha vida acarretou muitas vezes muito suor e lágrimas, como diz o velho ditado.

carlos rebolo


7) Podes deixar algumas dicas de treino para todos aqueles que estão a começar ou que têm dificuldade em ver os resultados que gostariam?

O concelho que deixo é muito simples: nunca desistam de realizar os vossos sonhos, se não souberem o que andam a fazer procurem um treinador credenciado e com formação académica e prática nas metodologias de treino específicas do culturismo, evitando os “gurus” e “preparadores” que para aí andam, e garanto que deste modo vão poupar imensas “cabeçadas na parede”.

Não partam do pressuposto que é fácil e que a internet é a solução para os vossos problemas, porque não o é, muito pelo contrário na internet existe muita informação, mas na maior parte dos casos colocada por gente que não faz a mais parva ideia do que anda a dizer e a fazer.

carlos rebolo


8) Em que consiste a tua alimentação? Quais as diferenças para alturas de pré-competição?

A alimentação é um fator de rendimento do culturismo de competição, assim como o treino e o descanso, logo se existe “um grande segredo” nesta modalidade, como dizem por aí, é este o grande segredo. Ter uma dieta personalizada, individualizada e adequada às características mesomórficas do atleta é um enorme passo para o sucesso competitivo.

Eu tenho um plano alimentar adaptado às minhas características corporais, e em consonância com os meus objetivos competitivos e procuro cumpri-lo escrupulosamente todos os dias. A única diferença que existe na pré-competição é a quantidade de calorias, que vai diminuindo à medida que se aproxima a competição na procura da melhor definição.

carlos rebolo


9) Praticas dias-de-lixo? Que achas deste conceito?

Eu não sou de acordo com o conceito de dias de lixo, o que faço é fugir num dia da semana, normalmente ao domingo, do plano alimentar que tenho, quando tenho um almoço ou jantar com amigos ou família e neste contexto como sem qualquer preocupação.

Ou seja “dias de lixo” por convencionalismo não o faço e recomendo isto aos meus atletas a quem elaboro planos alimentares. É óbvio que em pré-competição “este sair do plano” já não se coloca.

carlos rebolo


10) Consideras os suplementos essenciais para quem pratica musculação?

Mais uma vez acho que o plano de suplementação deve estar integrado no plano alimentar e deve ser elaborado de uma forma individual, não como os planos tirados da net, em que um serve para todos, e deve ser elaborado por um profissional credenciado e com experiência na área.

É aquilo que recomendo, procurem um treinador competente, não gastem dinheiro em suplementos sem saberem o que andam a fazer e os riscos que advêm do consumo de suplementos de uma forma aleatória, como vejo fazer, tendo como base a última publicidade.

carlos rebolo

Autor: Marcos Sabino

Marcos Sabino criou o Tá Fitness em 2012. Licenciou-se em Comunicação Social na Universidade do Minho, onde também tirou o mestrado. Trabalhou 4 anos na Prozis, em Portugal, e em 2014 mudou-se para Inglaterra onde trabalha desde então na Myprotein. Possui um canal no Youtube onde dá dicas de nutrição e suplementação e um perfil no Instagram (@marcossabinofitness).

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