Como escolher um suplemento de proteína (whey)

Devido aos seus conhecidos benefícios no aumento e manutenção da massa muscular, os suplementos de proteína de soro de leite (whey) encontram-se entre os mais vendidos em todo o mundo. É raro alguém treinar no ginásio e não tomar algum suplemento de proteína.

Uma das leis elementares do mercado é que a procura por um produto influencia o seu preço final. Se determinado produto tiver muita procura, o seu preço aumentará. Nos últimos anos, a procura por suplementos de whey protein disparou, tornando a matéria-prima necessária para o seu fabrico mais cara.

Por essa razão, várias marcas de suplementos têm adotado estratégias e truques ardilosos para tornarem o seu produto mais barato e, por conseguinte, aumentarem as margens de lucro.

Neste artigo vou expor algumas destas práticas para vos ajudar a saberem distinguir um bom de um mau suplemento de whey protein e para saberem que marcas pensam mais em lucro do que nos seus clientes.

1) Atenção à quantidade de proteína no produto

Se pagas por whey protein, deves exigir whey protein. Se não tens o hábito de olhar com atenção para a informação nutricional do produto, deves passar a fazê-lo.

Como deves saber, um suplemento de proteína não traz apenas proteína. Também traz hidratos de carbono e gordura, entre outros ingredientes. Se estás a pagar por um suplemento de whey protein, deves exigir que o suplemento de whey protein tenha, no mínimo, 70% de proteína por 100g de produto (case se trate de um whey protein concentrado).

Existem alguns suplementos que são autênticos rip-offs, fazendo-se passar por algo que não são. O mercado está repleto de proteínas que apresentam concentrações proteicas inferiores a 60%. Ou seja, em 100g de produto, apenas 60g são proteínas, tudo o resto são hidratos de carbono, gorduras e outros fillers.

Há produtos que mais parecem gainers do que propriamente proteínas de soro de leite. Eis alguns exemplos:

comparação de suplementos de whey

Geralmente estas proteínas de menor concentração proteica são mais baratas mas, mesmo assim, não recomendo a sua compra.

2) Atenção ao perfil de aminoácidos

Não basta olhar para a quantidade de proteína que o produto oferece. Temos de ir mais fundo na nossa análise. Neste caso, temos de olhar para o aminograma do produto. O aminograma é a tabela que indica todos os aminoácidos presentes no suplemento de proteína, bem como as suas quantidades.

O interessante numa whey protein é a quantidade de aminoácidos essenciais – especialmente BCAAs – que ela oferece. O nosso corpo consegue produzir os aminoácidos não-essenciais. Como tal, quando estamos a escolher um suplemento de proteína, devemos atentar para a quantidade de aminoácidos essenciais que esse suplemento oferece.

Os BCAAs – leucina, isoleucina e valina – merecem uma atenção especial pois são os aminoácidos que se encontram em maior quantidade no tecido muscular e um deles – a leucina – é o principal responsável por ativar a síntese proteica, o processo que nos vai permitir ganhar massa muscular.

Pelo conhecimento que tenho do mercado de suplementos, aconselho a escolherem uma whey protein que tenha pelo menos 30% de aminoácidos essenciais, 15% dos quais BCAAs. Eis o exemplo de um bom suplemento de whey protein:

aminograma whey protein

3) Atenção ao Amino Spiking

Este termo deve ser novo para a maior parte dos leitores, mas é um conceito muito conhecido dentro da indústria da suplementação. O “Amino Spiking” acontece sempre que uma marca acrescenta determinados aminoácidos à sua fórmula de proteína de forma a aumentar a quantidade total de proteína de forma barata.

Não são poucas as marcas que adotam esta prática. Os casos mais escandalosos são aqueles em que o produto tem o nome de “100% Whey Protein” quando, na realidade, não passa de uma espécie de 60 ou 70% whey protein à qual foram acrescentados aminoácidos livres.

Os aminoácidos mais comuns utilizados para subir o teor de proteína num suplemento de whey, por serem baratos, são a glicina, a taurina, o ácido glutâmico e a creatina. Os dois primeiros são os mais utilizados.

A glicina é um aminoácido não-essencial barato. A taurina, apesar de ter funções biológicas importantes, não contribui para a síntese proteica. Uma vez que 99% das pessoas compra whey protein a pensar em ganhar ou manter massa muscular, não é um aminoácido interessante para se ter numa whey. O ácido glutâmico, ao contrário do que a generalidade das pessoas pensa, não é glutamina.

Sempre que a lista de ingredientes do produto enumerar aminoácidos livres, isso significa que a marca os adicionou à fórmula. Ou seja, não estás a olhar para um suplemento de whey protein “puro”. Eis alguns exemplos:

exemplos de amino spiking

Dois dos produtos supramencionados contêm BCAAs na sua lista de ingredientes. Alguns de vocês poderão estar a perguntar-se se isso não faz do produto um bom produto. Isto não passa de um engodo. Praticamente todas as vezes em que a marca acrescenta BCAAs livres ao produto é porque o mesmo possui uma quantidade natural de BCAAs baixa.

Ou seja, eles são acrescentados não para tornarem o suplemento ainda mais espectacular mas para disfarçarem um produto de baixa qualidade. Temos o exemplo do HEXAPRO da Allmax Nutrition, que apesar de ter BCAAs adicionados, ainda assim continua a tê-los em quantidades menores do que outros suplementos de whey protein aos quais não foram acrescentados BCAAs:

HEXAPRO da Allmax Nutrition

Desconfiem sempre de certos termos que nada mais são tentativas de atirar areia para os olhos dos consumidores. Alguns exemplos: “amino blend“, “reinforced protein complex“, “amino complex“.

proteínas com amino spiking

Conclusão

Ninguém dá nada a ninguém, muito menos na indústria da suplementação. Existem marcas que adotam más práticas e procuram ludibriar o consumidor menos atento. Estejam atentos.

O preço é sempre um bom indicador para determinar se um suplemento de proteína pode estar a esconder algum “truque”. Se estiverem a olhar para um suplemento de whey protein muito mais barato do que você estão habituados, então desconfiem logo à partida e procurem indícios de amino spiking na lista de ingredientes.

Não obstante, continuam a haver marcas de qualidade que não recorrem a truques de semântica para enganar o consumidor.

Neste vídeo discuto todos os pontos apresentados neste artigo:

Autor: Marcos Sabino

Marcos Sabino criou o Tá Fitness em 2012. Licenciou-se em Comunicação Social na Universidade do Minho, onde também tirou o mestrado. Trabalhou 4 anos na Prozis, em Portugal, e em 2014 mudou-se para Inglaterra onde trabalha desde então na Myprotein. Possui um canal no Youtube onde dá dicas de nutrição e suplementação e um perfil no Instagram (@marcossabinofitness).

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